sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Que A Paz Esteja Convosco Meu Amigo. ( Por quê Dói Tanto? )

   O príncipe Hassan encontrou na Princesa Alisha a grande razão para viver. É sempre muito perigoso encontrar em alguém a razão para viver... Mas não é fácil dizer isto ao príncipe Hassan. Ele é intenso demais para não se permitir se jogar de cabeça... A princesa Alisha a princípio estava um tanto arredia ao amor que batia em sua porta. As suas experiências anteriores não tinha sido das melhores, e nem tampouco as do príncipe que anseiava encontrar alguém que pudesse ser a sua "outra parte que estava perdida no mundo".
  Começaram a namorar e a cada dia ambos se completavam e o príncipe que já admirava a bela jovem mesmo antes do namoro estava radiante...Uma vez ele me disse:
- Sabe Oleg eu me sinto o homem mais feliz do mundo quando estou ao lado de Alisha. Quando estou com ela é como se o mundo fosse pefeito, como se fosse não! O meu mundo torna-se perfeito quando estou com ela. Sinto paz e uma imensa vontade de ser melhor a cada dia, sim Alisha me faz querer ser a cada dia um homem melhor...Quando estamos juntos não me falta mais nada, o meu mundo se completa. Estou muito feliz Oleg, não posso pedir mais nada ao criador.
   Confesso que invejei o príncipe naquele momento, porque das poucas vezes que me senti assim como um menino. Acho que é assim que nos sentimos quando amamos, uma "criança adulta". Quando acreditei que não precisa pedir mais nada ao criador tudo desmorou de uma forma que até hoje "não sei porquê".
   Sim o príncipe "sorria ao vento", qualquer pessoa que o visse percebia que aquele homem transbordava uma alegria, uma forma de enxergar a vida. Que só tinha uma explicação. O amor da princesa Alisha. Quando a princesa disse pela primeira vez que o amava, Hasan me contou que já se passava um tempo juntos e que a princesa com toda sua sinceridade dissera que ainda não estava preparada para dizer EU TE AMO novamente, pois ainda gostava do ex. Entretanto o grande dia chegara, e ela dissera ao príncipe que o amava, e que estava muito feliz. E o agradecera por não ter desistido do casal, por ter lutado por eles. E que a cada dia ela estava mais feliz... Para Hasan foi a melhor notícia que deveria ter acontecido. Era notório em todo o reino que ele nunca tivera tão feliz, "tão nas nuvens" quanto naquele momento. Qualquer cidadão no reino sabia o motivo daquela felicidade: Princesa Alisha.
   Hasan era um homem intenso, verdadeiro e que não tinha perdido a fé no amor, nas pessoas, e a esperança de que aonde existia amor verdadeiro qualquer barreira pudesse ser superada. Mas existem barreiras que nem mesmo o amor é capaz de superar. Como a barreira religiosa por exemplo. E entre Hasan e Alisha existia uma barreira religiosa, ambos eram de religiões diferentes, e tinham formas diferentes de adorar um mesmo Deus.
   Com o tempo pertencer a mesma religião de Alisha passou a ser uma condição para a manutenção da relação para Hasan. Que mesmo com certa resistência passou a considerar a ideia, em nome do amor que sentia por Alisha. Com tempo surgiram algumas brigas o que é normal, mas para Alisha não era. E assim o mesmo amor que ela dissera sentir um dia, disse já não sentir no outro e que a principal barreira entre os dois era a questão religiosa. E dissera a Hasan que o fim seria a melhor saída. Pobre Hasan lutou até as suas últimas forças se esgotarem para não permitir que o seu grande amor fosse embora. Que a sua razão de viver escapasse das suas mãos...
   E foi assim que todo o reino e eu vimos um homem perder a fé no amor, nas pessoas e na vida. Pobre Hasan ele "suicidou-se", mas não tirando a sua própria vida. O suicidio aconteceu no seu âmago...Onde está aquele homem que sorri como se estivesse iluminado por um sentimento inexplicável, que enxergava a vida sempre pelo seu lado positivo, que tinha fé nas pessoas, na vida e que jamais imaginou que a pessoa que dissera que o amara, e que estava feliz, ia dizer o contrário tão rápido...Ele desceu ao "vale das Sombras", ao" fundo do poço". Fazia pena ver a tristeza do prícipe, a falta de vontade de viver...Ele caiu numa tristeza profunda...E a sua vida não fazia o menor sentido, ele ficou perdido sem rumo... Hoje passado algum tempo ele tenta reconstruir a sua vida, mas nem de longe ele se parece com o homem que já foi um dia.
   Ontem ele me procurou e me fez as seguintes perguntas:
- Por quê é que dói tanto? Por quê é que depois de tanto tempo ainda sonho com ela? Por quê ainda tenho esperanças de que ela possa reconhecer o meu valor e voltar? Por quê quando a vejo meus olhos ainda se enchem de lágrimas e rogo ao criador uma oportunidade. Às vezes penso que estou enlouquecendo. Quando a vejo sinto uma tristeza angustiante e uma vontade de voltar no tempo... Por quê dói tanto.....? Por quê acreditei tanto que era amado?
   Não soube e não sei o que responder ao príncipe. E tampouco sei o porquê. Cada ser humano tem os seus próprios percalços, cada um de nós tem a sua própria caixa de Pândora. Talvez algum dia o príncipe Hasan volte a ser o que era, talvez nunca mais... Mas se a pessoa que amo não se vê em mim e tampouco eu na pessoa só sei que de nada vale a pena este amor...Mas quando sabemos o que vale e o que não vale a pena neste campo? E a pergunta do príncipe continua martelando em minha mémoria...Por quê dói tanto depois de tanto tempo? E por quê ele não conseguiu até hoje seguir em frente? Na minha humilde conclusão só posso crer que as maiores tristezas humanas estão relacionadas a desilusão amorosa para aqueles que acreditam no amor e são pessoas intensas...
 


sábado, 19 de setembro de 2015

Minha Inocência Perdida. ( Aonde está ? )

   Sempre achei que o que mais vale nas relações humanas são as pessoas... Sempre acreditei que um ser humano tinha valor pela sua essência...Independente de sua cor, raça, credo e etc. Alguém tem valor pelo que é, pela coerência de suas atitudes, respeito aos outros e a sí mesmo. Alguns dias conversando com dois amigos que são um pouco mais velhos que eu, fiquei chocado com a declaração de um deles. Que o que descobri agora, ele descobriu quando tinha dezessete anos! Quando paro para pensar nesta declaração vejo o quanto fui inocente e que a perca dela me faz enxergar um lado sombrio e triste da vida.
   Lamento por ter sido tão ingênuo durante tanto tempo, agora já não posso mais voltar atrás e recuperar a inocência perdida. Um tanto pior pra mim pois perder a inocência é de certa forma ruim, entretanto me faz não só enxergar a realidade nua e crua, me faz aceitá-la o que é ainda pior. Sim ele está coberto de razão. No mundo em que vivemos e que sempre foi assim, apenas eu demorei a enxergar, ou melhor eu enxergava mas me recusava a acreditar. "Você vale o que você tem", nossa nem me reconheço falando assim, mas tenho que admitir que os valores são inversos ao que pensava.
   E agora?  Pra onde foi aquela inocência que acredita nas pessoas e nos dons que elas tem? Onde está o meu eu que acreditava na capacidade humana de ser empático. Creio que eu realmente vivia em um mundo à parte que de certa forma fez com que eu cultivasse o melhor em mim durante tantos anos: A fé nas pessoas e a esperança de um mundo melhor e mais justo ( balelas de um ex sonhador que parecia não ter cura ).
   Pois é a cura chegou... Já não sou mais o mesmo menino que sonhava com o futuro... FUTURO! Ele é sempre tão distante e tão próximo ao mesmo tempo que faz com que eu me perca até no presente. Nem tampouco o jovem que fui querendo "transformar o mundo", apenas o homem que tenta sobreviver ao sistema e acredita que o ser humano "vale o que tem" com um sabor amargo na alma.
   Aprendi que devo viver ilhado em meus próprios problemas e nem sequer olhar para os lados. Que eu sempre terei que pensar em mim e agir por mim em primeiro lugar. Numa eterna competição onde o primeiro é o que importa, ele sempre será visto e lembrado. Amor, amizade, carinho, respeito e lealdade não significam muito num mundo que prega a corrida desenfreada pelo consumo e capital selvagem.
   Sim acho que agora eu "cresci", perdi a porção ingênua no homem barbado...Estou de luto por um ser que deixou de existir, e que deixará muitas saudades...O doce amor da mulher amada custou um punhado de dólares ( e ele está ALTO no mercado ). Preciso correr para não perder a chance de comprar as ações que me darão passaporte para mostrar o meu valor. Preciso ser bem sucedido, e sinônimo de sucesso é dinheiro no bolso! Só assim serei amado, respeitado e terei o meu valor!
   No fim destas linhas sei que não posso me permitir esse pessimismo total. Pois sei que há um número considerável de pessoas que lutam para transformar a vida de pessoas, que não acreditam no valor que a conta bancária dá. Elas são quase imperceptíveis, mas se reparar bem elas estão lá sorrindo verdadeiramente, com os braços abertos e sempre dispostos a transformar, multiplicar, unir e se modificarem a partir do contato com o outro, que se permitem serem transformados também.
   Embora otimista e esperançoso num nível bem menor essas pessoas me faz crer que nem tudo está perdido. Deixo um sorriso escapar de meus lábios e sinto uma ponta de esperança muito pequena e lamento profundamente a inocência perdida.



quinta-feira, 4 de junho de 2015

O Sagrado Que Existe Em Cada Precioso Minuto.

  O que é realmente nosso em nossas existências? Quando paro para pensar, refletir sobre esta questão chego a conclusões que verdadeiramente não me agradam, porque desconstrói aquilo que sempre acreditei possuir. Mas que ao mesmo tempo me direciona a ver a vida com novos olhos, o que considero ser a verdadeira viagem da descoberta... O que realmente tenho? E qual o valor que dou para aquilo que considero meu? Será que estou valorizando coisas de menos e desvalorizando coisas demais? No momento que penso em ter uma vida estável e que esta estabilidade seja a tão sonhada casa e o belo carro que sempre almejei ... O simples fato de sonhar e trabalhar para por em prática este sonho me mantem vivo. E trabalho todos os dias doze, treze horas,  os anos passaram e eu finalmente conquistei, os bens que eu tanto almejara... Acabei de pagar a última prestação do carro, que já não tem mais o mesmo valor, porém é inegável a sua utilidade. Sim as conquistas materiais são importantes, e me sinto feliz, não nego e não vejo nenhum mal nisto. Entretanto descubro que cada conquista demanda outra e mais outra, e caio no mesmo ciclo vicioso que nunca tem fim, pois descobri que para ter uma vida plena tenho sempre que ter algo, sempre uma nova conquista...
   Quando penso no que é realmente meu me choco com a resposta que ecoa em meus próprios ouvidos. Tento negar a evidência que aparece muito clara, sinto um aperto no peito, pois a verdade me esbofeteia. A “razão”, me diz que que tudo que possuo é meu, pois tenho documentos que o provam. Sim eu tenho a posse documentada, e isto me faz bem. Tão bem que me sinto senhor do tempo e porque não da vida pois sei que aquilo que é meu ninguém tira... Entretanto o coração me diz que não possuo muitas coisas, ou melhor que não possuo nada...Assustado com o que ouço tento tapar os ouvidos para não escutar, mas as palavras ecoam lá no fundo, dentro do coração. 
   Tento negar o óbvio, porém me rendo. E me convenço que nada me pertence e que tudo é transitório, ilusório. Pois tudo que acredito ter me está sendo emprestado por um tempo que por mais que possa parecer ao contrário é finito. As coisas que possuo deixarão de ser minhas e incluindo a própria vida no momento em que fechar os olhos.
   Este é o maior mistério da existência, o de transformar cada minuto, cada segundo em um único momento. E de poder perpetuar este momento sempre que quisermos através de nossas memórias, enquanto existir o fôlego da vida. Ter a convicção disto transforma minha existência. Me faz repensar as minhas próprias convicções, quebrar paradigmas e entender melhor a mim mesmo e o mundo ao meu redor. 
   Aceitar que diariamente podemos ensinar e aprender. Todos os dias temos a chance de sermos professores e alunos. Temos a chance de contribuir para o sagrado que existe em cada precioso minuto, e aceitar que nesse curto período em que estamos aqui podemos ser como as estrelas que a "zilhões" de distância não deixam de emitir o seu brilho. E cada ser humano é como uma estrela, todos tem o seu brilho...Todos temos os nossos dons, os nossos talentos, e que possamos utiliza-los da melhor maneira servindo e sendo servido. Afinal quando nosso tempo finito chegar, só o que ficará são as lembranças, o resto é feito uma escultura de areia...Bela mas que na primeira tormenta se desfaz.
   Justamente por não saber até quando? Que possamos fazer o melhor que possamos como se não tivéssemos a chance de fazer e querer tudo outra vez.

   

domingo, 29 de março de 2015

Mergulho Na Escuridão De Minha Alma... E Navego Por Tormentas Nunca Antes Enfrentadas!

   Caminho contra o vento e sinto o sabor amargo subindo das entranhas de minha alma... O sorriso sai quase forçado, sem vontade, e talvez nem seja mesmo um sorriso, mais um entortar de lábios que mais se assemelha com uma tentativa irônica de rir das desgraças da vida. Conheço todas as tentativas de animar meu ser como risos forçados ou até mesmo estufar o peito e caminhar firme com o olhar do que é necessário focar. Como se dissesse a mim mesmo que enxergo além do problema, além do horizonte.
   Bah ....Uma grande piada, que o meu próprio corpo tenta aplicar a mim... Isso mostra que o ser humano é um ser de superação... Mas às a escuridão é necessária para fazer com que valorizemos a luz. Ela faz parte daquilo que chamamos inevitável, embora passamos boa parte de nossa existência tentando evita - la.
   O ser humano é o ser mais completo e complexo de toda a criação, eu particularmente desconfio desse "completo", e apostaria no complexo. Caminho insone pela multidão e ouço meus próprios passos como um aviso sombrio de mais um dia cinzento nas brumas de minha alma. E sigo como se o dia que acabou de nascer parece nunca ter nascido e nunca terá fim... É estranho no decorrer de um dia de trabalho agir naturalmente, embora seja necessário, afinal não podemos misturar os problemas pessoais com o trabalho, e é assim que deve ser. Ao final descobrimos que somos humanos em qualquer lugar que estejamos, parece óbvio mas me refiro a modelos de comportamentos que nos ensinam e que nos submetemos como se em algum momento deixássemos de ser.
   Sim sou humano em qualquer hora e em qualquer lugar, posso chorar, posso sofrer, posso me rasgar, me quebrar em pedacinhos... Mas também posso sorrir, restaurar cada caquinho que se quebrou, que pode durar uma semana, um mês, um ano ou uma vida.... Mas no final desta caminhada eu possa olhar pra trás e descobrir que na construção de Deus sou um dos tijolos que edificou a sua obra.
   Que eu possa olhar para trás e entender que mesmo as experiências mais amargas, puderam contribuir para que a minha alma fosse lapidada e pudesse evoluir... Assim como o ourives derrete, condensa, martela, molda, solda e refina pepitas de ouro, transformando-as em belas jóias de alto valor agregado.
   Caminho contra o vento e um rosto me vem a mente, um coração que já não bate mais no mesmo compasso. Nuvens sombrias anunciam a tempestade dos próximos dias...Meus passos entre a multidão anunciam a morte, a cada dia temos uma morte anunciada, da mesma forma que podemos ter um renascimento...Mergulho na escuridão de minha alma e navego por tormentas nunca antes enfrentadas, desta vez parece que vou sucumbir... Não encontro forças para me reerguer do tombo que a vida me deu, e quanto mais tento parece que mais me enfraqueço.
   Mas a vida pode me derrubar, me fazer cair de joelhos, isso ela pode, mas eu também posso resistir, aguentar, não me deixar quebrar por ela. E é essa capacidade de aguentar as porradas que ela me dá que me faz ir mais além. Sei que não é fácil , mas não me deixarei sucumbir, sei que sou forte o suficiente, pois descobri que ser forte não é ocultar as fraquezas, não é não deixar a lágrima cair, não mostrar as perdas, mas acima de tudo é saber que nelas moram resistência que me faz levantar, que não me deixa sucumbir, porque posso me levantar, quebrado, arrasado, destruído... Porém VIVO!



segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

De Onde Vem O Tiro?

   O tiro de misericórdia veio antes do suspiro. Antes mesmo de perceber a sua direção...Tal qual um menino que não sabe que direção seguir, reajo ainda sem saber que rumo tomar. Já fui alvejado antes, mas a dor nunca é igual... Nunca estamos preparados para o inesperado que se apresenta como o novo. Que pinta novos quadros, ou modifica profundamente os já existentes. Que reescreve o roteiro, modifica os capítulos e vai devastando tudo tal qual uma catástrofe natural e...Humana!
   Antes de qualquer reação vem o tiro...De onde ele vem? Só sinto a dor lancinante... Fecho minhas pálpebras e vejo uma criança perdida, confusa em meio a multidão. Ela se pergunta? - "Onde está mamãe?" e a mamãe não aparece. Ela se desespera e vê um rosto que se aproxima e sorri. Instintivamente a criança para. A medida que a pessoa com um sorriso dócil se aproxima, não sabe ao certo se é a mãe que tanto procura, mas o torpor já começa a afetar a sua capacidade cognitiva.
   Talvez por uma fração de segundos, ou um pouco mais de atenção eu tivesse notado a arma apontada para mim o tempo todo. Entretanto quando tento encontrar a resposta em meio ao torpor que ameça a minha sanidade, consigo ter o momento mais lúcido... Que me diz que aquela arma não era pra ser vista, aliás ela nem tava ali. E continuo sem saber de onde vem o tiro? Sinto apenas o gosto amargo na boca e o alarido surdo em meu coração. Tento ouvi-lo na tentativa desesperada de encontrar um antidoto que salve minha vida. E talvez o antídoto nem salve, talvez seja um produto do meu devaneio, da minha desilusão.
   Glóbulos, nervos, tecido, músculos... Fibra, rosto, posto, nuvem, raio, trovão, caixão... Eis a casa pequena e sufocante e a certeza de que a cada inspiração vou expirando vida...brincando com a desgraça, flertando com a morte que me diz que sou forte. Mas não o bastante para sobreviver ao tiro, é preciso conhece-lo, mas ele não gosta de socializar. Ele aparece quando menos se espera causa estragos e vai embora. Tento juntar os cacos, mas cacos quebrados não voltam a ser belos jarros, mas ainda assim podem ser restaurados.
   Restaurado...Aquilo que pode ser recuperado. Mesmo em meio ao caos que se encontra minha existência. O caos equilibra minha desilusão, mesmo que eu não admita e talvez ainda não perceba, mas ele me obrigada a seguir lutando para continuar vivendo e não apenas sobreviver... Corro em busca do meu lugar no mundo, e como todos os guerreiros que lutam por algo que acreditam me entrego, me rendo a um único momento e me perco num olhar que já não tem mais o mesmo brilho de antes. E novamente a pergunta que já faz parte de minha existência... De onde vem o tiro....?
   Compreendo que nem eu e nem ninguém sabe de onde vem o tiro...O que descobri é que ele sempre vem, as vezes esperamos por ele...Mas na grande maioria delas não. Como também não estamos preparados, mas ele vem e devasta tudo por onde passa, e você sente o sangue quente pulsar...Pensei e acreditei que o meu fim estava próximo. E já nem acreditava mais que sobreviveria tamanho foi o golpe, certeiro, quase mortal no coração...Mas na vida morremos e vivemos muitas vezes. A cada segundo da existência algo mágico acontece.
   Penso em ser livre e no momento em que penso que sou... Percebo que é uma grande utopia no sentido mais amplo da palavra. Pois ninguém pode ser totalmente livre que possa fazer o que quiser e nem tão preso que não se permita momentos de liberdade.
   Os homens quando enxergam a vida com paixão criam verdades absolutas. No momento em que escrevo não sei se vivo, ou se sou uma mera concepção do eu. Em uma única existência pode-se morrer e viver diversas vezes... Mas não se pode negar de enfrentar o tiro mesmo não sabendo de onde ele vem.



domingo, 7 de dezembro de 2014

Quero Uma Companheira, Não Só Um Grande Amor.

   Quando o amor vem tudo se transforma. Onde há um sentimento verdadeiro, uma sementinha de amor plantada encontramos o elixir da vida. Às vezes me pergunto, ou estranho quando ouço alguém dizer " eu te amo" com tanta facilidade como quem escova os dentes ou troca de camisa. E hoje em dia é muito fácil dizer "eu te amo". Postar fotos nas redes sociais e dividir somente bons momentos com alguém. Mas conviver com as pessoas nos bons e maus momentos, isso requer paciência, altruísmo, companheirismo, respeito, admiração, carinho e amor. Hoje em dia o que falta em muitos relacionamentos, e fui aprendendo com os que tive, é alguém que não somente diga "eu te amo".
   Mas alguém que seja capazde ser companheiro, parceiro. Alguém que seja capaz não só de enxugar as suas lágrimas, mas de chorar junto contigo. Que tenha a capacidade de entender e respeitar as diferenças e ainda assim querer estar ao seu lado. Que quando você adoece a pessoa não mede esforços para estar ao seu lado lutando pela sua recuperação.
   Que nas brigas saiba recuar entendendo que vale mais a pena ser feliz do que ter razão. alguém que não valorize apenas o teu corpo, porque você é gostoso ou gostosa e que te comeria, mas que queria realmente fazer amor contigo. Alguém que te admire pelas suas qualidades e seja tolerante com os teus defeitos. Aliás ser capaz de tolerar os defeitos é o que vai fazer a relação durar, afinal conviver com as qualidades é mole.
   Se você encontrou um companheiro assim não o troque pelo bonitão, musculoso, aquele tudo de bom que você pegaria, ou aquela mulher de seios fartos e bumbum arrebitado que quando passa na rua você diz que "pegaria fácil". Cuidado com as armadilhas meu amigo. Pois  o tempo provará que não vale a pena perder um parceiro que te valoriza por um corpo e um rosto bonito que envelhecerá com o tempo. Se você encontrou não só um verdadeiro amor, mais que isso um verdadeiro companheiro, segure-o, agarre-o, não o deixe escapar...Porque somente quem encontra um parceiro na vida será capaz de seguir em frente enfrentando os obstáculos que a vida venha a oferecer. Porque o resto é como um imponente castelo de areia com belas torres e passarelas, porém na primeira tormenta se desfaz.


domingo, 23 de novembro de 2014

Cada Escolha Uma Renúncia ( Mas Prefiro As Reticências Em Vez De Um Ponto Final...) Parte 2

Cheguei ao Rio de Janeiro a cidade maravilhosa. E a primeira impressão é de encantamento e ao mesmo tempo uma boa dose de adrenalina que sempre me acompanha quando me deparo com algo novo, o desconhecido... Afinal nunca tinha morado em uma cidade que tivesse mais de duzentos mil habitantes, mesmo nos meus primeiros anos de vida onde tive uma vida "Nômade". Sou nascido no estado do Pará e vivi em cincos estados até os meus dez anos de idade, depois fui morar em São Sebastião no litoral norte paulista, meu lugar do coração onde considero a minha alma e a minha vida... Me sinto um Sebastianense de alma e coração. E São Sebastião pra mim é como uma grande mãe sempre de braços abertos a receber o filho e é assim que me sinto cada vez que piso em solo sebastianense; Meu primeiro endereço aqui no Rio foi um hostel em Copacabana. O que mais me chamou atenção era diversidade de pessoas que existiam ali... Havia muitos estrangeiros, a maioria nossos vizinhos sul-americanos, Argentinos, Colombianos, Peruanos...Alguns ingleses, americanos, sulafricanos... Também nunca tinha ficado em um hostel em minha vida. E a experiencia foi muito divertida, ver tantas pessoas diferentes dividindo o mesmo espaço... No primeiro dia de aula foi uma apresentação de todos os professores e alunos, cada professor falou como seria o curso dentro da sua disciplina e cada aluno que iniciaria aquele semestre falou um pouco de si, de onde veio, profissão e etc...Havia biólogos, jornalistas, psicólogos, professores e um médico. Definitivamente ser ator não é uma profissão que alguém possa pensar e executar (formação) em primeiro na vida, isso só confirmava o que já tinha certeza...Todos eles ou pelo menos a maioria tinham suas profissões, tinham o famoso "plano b", mas que em dado momento decidiram ir em busca de seus sonhos, encarar mais um desafio de estudar novamente. E ao mesmo tempo confirmava aquilo que sempre tive medo... O de no leito de morte me perguntar.... Por quê não tentei????? Deveria ter feito??? Não sou nenhum expert em questões existenciais mas tenho vivido suficiente para encontrar pessoas que tenham feito esta pergunta a si mesmos e a resposta é amarga. As aulas eram bem diferentes do que imaginava, embora já tinha estudado teatro antes em São Sebastião pelas oficinas culturais, porém em um curso profissionalizante é totalmente diferente. No inicio vinha sozinho pra casa, depois com o tempo fui conhecendo os colegas de classe e a amizade foi fluindo o que me deixou mais convicto de minha decisão. Nas aulas estava tudo bem agora precisava conseguir outra coisa. E dessa coisa dependia a continuação do meu projeto... Precisava arrumar um trabalho, caso contrário teria que voltar pra casa. O Rio de Janeiro é uma cidade cara, e ficar aqui só gastando sem trabalho, só faria com que o meu sonho virasse um pesadelo...



quarta-feira, 30 de julho de 2014

Cada Escolha Uma renúncia ( Mas Prefiro As Reticências Em Vez De Um Ponto Final ...) Parte 1

Há um ano nesta mesma data eu já tinha tomado uma decisão que mudaria para sempre a minha existência. À partir daquele momento minha vida sofreria uma grande reviravolta, pois sabia que mesmo que voltasse atrás não seria mais a mesma pessoa... E é por isso que eu prefiro as reticências, gosto da possibilidade de deixar o caminho e retomar ele novamente. Gosto de deixar uma ideia ou um pensamento que não tem fim e que pode ser retomado, ou não. Não me agrada a ideia de as coisas terem fim e ainda mais os caminhos que escolhi para trilhar. Desde criança gosto da arte em todas as suas formas e expressões...Aos 12 subi no palco pela primeira vez em São Sebastião- SP em uma escola estadual no bairro Canto do Mar. Era para declamar uma poesia sobre a ECO 92, Meu Deus como o tempo passa! Ali eu me encantei pela primeira vez com o palco e a possibilidade de passar uma mensagem para o público. Em minha adolescência comecei a brincar de escrever...Passava as tardes em minha casa escrevendo coisas do meu cotidiano escolar... Lembro que aos 13 anos nominei um caderno de FMI (Fruto da Minha Imaginação rs) onde escrevia tudo que a minha mente produzia, no momento em que escrevia me imaginava o compositor, o poeta, e quem sabe indiretamente um escritor... Ano passado tomei a decisão de sair de São Sebastião e vir morar no Rio de Janeiro em busca de um sonho antigo que estava adormecido e como um vulcão que entrou em erupção o sonho de se ator pulsava em meu coração e  tornava a minha alma faminta dessa realização. Tinha meu emprego, ganhava um dinheiro razoável, e morava com a minha mãe e meus irmãos, meus grandes amigos... E ainda tinha a namorada, a mulher por quem eu me apaixonara e que me fazia sonhar com uma vida ao seu lado... Que simplesmente ouvir a sua voz e a sua companhia me faziam sonhar e querer ser um homem melhor a cada dia... Deixar tudo isso para trás foi  uma das decisões mais difíceis da minha vida. Era uma decisão arriscada vir morar em uma cidade grande sem ter nenhum conhecido e sem ter a menor noção de como era a vida nesta cidade. Contando apenas com a minha poupança fruto de um ano de trabalho árduo em três empregos e juntando centavo por centavo. Eu tinha me dado um ultimato ou eu sairia naquele momento ou não sairia nunca mais. E confesso que travei um conflito interior muito grande, afinal sair da zona de conforto não é fácil para ninguém. Estava trocando a minha segurança, a minha estabilidade financeira por uma aventura que eu não sabia aonde ia dar. Afinal ser um artista e ainda conseguir sobreviver da arte não é uma das tarefas mais fáceis neste país, onde a arte e a cultura não é muito valorizada. Me perguntei diversas vezes se valeria a pena investir minhas economias em um sonho que provavelmente não me traria um retorno financeiro, mas que me faria muito feliz. E cada vez que respondia esta pergunta a mim mesmo com um sim meu coração se enchia de alegria e me dava a certeza de que estava no caminho certo... uma semana antes minha mala já estava pronta, e eu praticamente não conseguia dormir direito. Foi a semana mais longa e mais difícil da minha vida e cada segundo era precioso ao lado das pessoas que amo. E apesar de estar feliz por finalmente ter a coragem de pagar o preço do meu sonho, uma tristeza me invadia porque sabia que estava me separando deles, e que não os veria mais com a mesma frequência, estava cortando o cordão umbilical e depois de certa idade torna-se mais difícil ainda. Recebi muitas mensagens nas redes sociais, muitas manifestações de carinho de ex colegas de trabalho, alunos, muita gente me desejando bons fluídos nesta minha nova caminhada. Último dia de trabalho na escola em que lecionei por alguns anos, os colegas fizeram um bolo e me emocionaram muito com o carinho que jamais esquecerei e como sou chorão, chorei demais... No meu bairro os amigos fizeram um churrasco e me emocionei muito também. No dia de ir embora da minha casa e do seio da minha família pensei em desistir, sou muito ligado a minha família e naquele momento meu coração estava em pedaços. Quando despedi de minha mãe foi muito doloroso estava aos prantos e minha garganta dera um nó. Meu irmão e meu tio me levaram de carro até a rodoviária, mas antes passei no emprego dos meus outros dois irmãos e foi aquele choro, meu irmão caçula que não é de demonstrar muito as suas emoções chorou muito quando nos abraçamos, e um outro carro com outros amigos foram atrás. No centro da cidade ainda encontraríamos uma outra grande amiga que me despediria e a mulher que amava. Ficamos batendo papo até chegar a hora do embarque, minha namorada na época não se desgrudava de mim e nem eu dela curtíamos cada segundo, chegou a hora da despedida daqueles últimos amigos que ficaram comigo até o momento de minha partida, mais lágrimas, e uma jura de amor eterno do casal que se amava. Tinha vividos emoções demais nas últimas 24 horas...

  

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Os 40 Anos Do Lineu





Ontem por acaso a TV estava ligada em minha frente e estava passando A Grande Família. E o episódio hoje era sobre os 40 anos de casado do Lineu e Nenê Personagens interpretados pelos atores Marco Nanini e Marieta Severo. Não assisti o episódio, mas ele foi um insight para que eu pensasse sobre o assunto. Como na ficção todos nós sonhamos encontrar alguém que possamos permanecer tanto tempo juntos, sem deixar que a centelha mágica que move nossos corações se apague; Acordar todas as manhãs e ter a certeza da escolha que fizera;  Os 40 anos da ficção também são os 40, 50 na realidade de muita gente e de pouca gente ao mesmo tempo. Nossas escolhas muitas vezes transformam “os 40” na doce utopia que brinca com nosso imaginário. Todos nós sonhamos encontrar alguém que nos faça perder o fôlego e encontra a vida. Uma mão amiga e um coração quente para seguir pelos labirintos que a vida nos conduz. Encontrar alguém que nos faça sentir orgulho de escrever as mais belas páginas de nossas vidas. Sabedoria para enfrentar as tormentas e companheirismo quando mais precisamos. Uma mão, um coração, uma vida, um destino e um sentido... Um coração, um oceano e um plano que se completa quando uma alma aquece a outra. Que a cada janeiro espelhos possam refletir nossas imagens envelhecidas pelo tempo, e que até mesmo o tempo que é senhor de si mesmo possa se render “aos 40”. Também sonho encontrar alguém assim que me faça ver em seus olhos os 40 em um, e um em quarenta. Que nossos caminhos se cruzem em direção ao oceano que é infinito, e que nenhuma explicação possa ser suficiente, apenas exista na sua complexidade simples.    



sexta-feira, 11 de julho de 2014

Tolerância Abaixo De Zero

Era noite comecinho dela, por volta das 19 horas decidi entrar em um supermercado em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro. Comprei poucas coisas afinal estava com pressa e era para o meu jantar naquele dia, quem mora sozinho e gosta de cozinhar sabe o que estou falando.  Minhas compras totalizaram 08 volumes porque decidi pegar três embalagens de suco em pó pequeno. Esperei na fila onde lia-se na placa ao alto: Caixa rápido 05 volumes, entretanto decidi continuar ali porque sei que se passa uma quantidade ínfima de volumes como era o meu caso passava. Pelo menos já vi isso acontecer. Quando chegou a minha vez a moça que operava o caixa olhou em meus olhos disse:
- O senhor sabe o que é um caixa de 05 volumes? – Ela falou em um tom tão grosseiro que cheguei a perder a linha e respondi:
- Sei. Por isso não. – retirei os três pacotes de suco em pó que compunham o excedente de meus produtos. - Mas ainda tive tempo de me recompor e devolvi a indagação dela com outra, embora fui educado:
- Você está estressada? – Ela olhou-me por uns segundos que pareceu demorar horas e disse “não” já com uma cara de quem não esperava, me pareceu um misto de raiva e ao mesmo tempo “sem graça” pela pergunta. Foi a impressão que tive pode ser que esteja enganado e ela só tenha sentido raiva mesmo (RS). Passado este episódio na mesma semana  na hora do almoço em Ipanema estava na fila de um restaurante que costumo almoçar lá as vezes. E a garçonete se aproximou e educadamente tira o meu pedido. No momento em que ela estava anotando na comanda decidi mudar de ideia, pedi desculpas pra ela e fiz outro pedido. E ela rasga aquela folha da comanda com violência e me olha com “ cara feia “. Outro dia fui comprar um lanche para a "chefa" e paguei primeiro porque tinha que resolver outra coisa em outro lugar e pegaria depois na volta. Quando cheguei já estava embalado e pronto era só eu pegar e levar. Entretanto quando pedi a nota ao atendente ele bufou antes de me entregar. Diria que eu estava sem sorte mês passado, mas não infelizmente o índice de tolerância das pessoas anda abaixo de zero.  Palavras como com licença, por favor, e obrigado andam meio extintas hoje em dia. Passar com cuidado ao lado de um velhinho na calçada é luxo, até porque ele está atrapalhando você que está atrasado, ou que gosta de andar rápido, daí você passa por ele quase o derrubando, afinal ele devia ficar em casa e não sair nas ruas não é mesmo?
Nos caixas lotados dos supermercados vejo qualquer erro que seja por parte do caixa ou alguém que atrase a fila logo ouvem-se impropérios para a pessoa que cometera tal “desatino” nos ônibus, nos metrôs cada um considera seu tempo o mais importante de todos e assim vamos vivendo num nível de tolerância abaixo de zero, onde o meu tempo e o meu interesse está acima de todos. O dia-a-dia, a correria dos grandes centros não pode ser usado como desculpas para nos tornamos cada dia mais intolerantes com nossos semelhantes.A cada dia perde-se a capacidade de usar a empatia. Temo por uma humanidade assim, embora ainda acredito no ser humano. Como diria Ghandi “Olho Por Olho E O Mundo Acabará Cego”